Há uma tensão crescente entre as grandes empresas tecnológicas e os reguladores europeus, e os utilizadores estão a ficar no meio do fogo cruzado. A mais recente decisão da Apple é um exemplo claro disso: as funcionalidades de inteligência artificial da Siri, que chegam ao iOS 27 e ao iPadOS 27, não estarão disponíveis na Europa no momento do lançamento. A razão invocada pela empresa é o Regulamento dos Mercados Digitais, conhecido pela sigla DMA.
O que é o DMA e por que razão a Apple o menciona
O Regulamento dos Mercados Digitais é uma lei europeia criada para garantir que as grandes plataformas tecnológicas não abusam da sua posição dominante no mercado. Funciona como um árbitro num campeonato: existe para garantir que nenhum jogador usa regras diferentes das dos outros. A Apple, assim como a Google, a Meta e outras gigantes, é classificada como “gatekeeper”, ou seja, um controlador de acesso ao mercado digital.
O problema, segundo a Apple, é que algumas das obrigações do DMA criam um ambiente de incerteza jurídica e técnica que torna difícil garantir a segurança e a privacidade das novas funcionalidades de inteligência artificial. A empresa argumenta que não consegue cumprir simultaneamente os requisitos da lei europeia e manter os padrões de qualidade que considera necessários para lançar as novidades da Siri.
O que fica de fora para os utilizadores europeus
As funcionalidades em causa são aquelas que a Apple apresentou como o futuro da Siri: respostas mais contextuais, integração profunda com aplicações de terceiros, capacidade de compreender pedidos complexos e até de interagir com serviços como o ChatGPT da OpenAI. Tudo aquilo que transformaria a Siri de um assistente básico num verdadeiro copiloto digital fica, por enquanto, fora do alcance dos utilizadores em Portugal e no resto da Europa.
É como comprar um automóvel de alta gama mas receber uma versão com o motor reduzido porque as normas locais de emissões ainda estão a ser negociadas com o fabricante. O carro existe, as peças existem, mas a configuração completa não chega até nós.
A Apple não é a única a agir desta forma
Esta não é a primeira vez que uma empresa tecnológica decide tratar a Europa como um mercado separado quando surgem obstáculos regulatórios. A Meta adiou funcionalidades de inteligência artificial no mesmo contexto. A Google ajustou algumas das suas ferramentas para mercados europeus. O padrão começa a ser evidente: as empresas usam a complexidade regulatória como argumento para justificar lançamentos faseados ou mesmo a ausência de funcionalidades.
Os defensores do DMA argumentam que a lei protege os utilizadores e estimula a concorrência. Os críticos, incluindo as próprias empresas afetadas, dizem que a rigidez da regulação afasta a inovação do mercado europeu. A realidade dos utilizadores está algures entre estes dois pontos de vista.
O que podemos esperar a seguir
A Apple não confirmou uma data para a disponibilização das funcionalidades na Europa. O histórico da empresa com o DMA sugere que as negociações com a Comissão Europeia podem demorar meses ou até mais de um ano. Enquanto isso, os utilizadores europeus ficam com uma versão funcional do sistema operativo, mas sem acesso às novidades que dominaram as apresentações da WWDC 2025.
Para os utilizadores da Arena Digital, o conselho mais prático é este: a atualização para o iOS 27 ou iPadOS 27 vale a pena pelos restantes melhoramentos do sistema, mas não devemos atualizar com a expectativa de encontrar a nova Siri com inteligência artificial. Essa experiência, por enquanto, continua reservada aos utilizadores nos Estados Unidos e noutros mercados fora do espaço europeu.
Fonte: Notícia Original





