Quando se fala de adoção de inteligência artificial, os olhos voltam-se automaticamente para os Estados Unidos, a China ou a Europa Ocidental. No entanto, um conjunto de dados recentes veio surpreender analistas e especialistas de todo o mundo: as empresas da Ásia Central e do Cáucaso estão a adotar ferramentas de IA a um ritmo que chega a ser o dobro da média mundial. Este fenómeno merece atenção e explicação.
O que significa “adotar IA ao dobro da média mundial”?
Para perceber a dimensão deste número, pensemos numa corrida de atletismo. Se a maioria dos países corre a uma velocidade de referência, estas regiões estão literalmente a percorrer o mesmo percurso em metade do tempo. Concretamente, enquanto a taxa média global de empresas que integram ativamente soluções de inteligência artificial nos seus processos ronda determinados valores de referência, países como o Cazaquistão, o Azerbaijão, a Geórgia e o Uzbequistão apresentam percentagens de adoção empresarial significativamente superiores. Não se trata de coincidência, mas de uma estratégia deliberada.
Por que razão estas regiões avançam tão depressa?
A resposta está numa combinação de fatores que raramente surgem juntos. Em primeiro lugar, existe aquilo que os economistas chamam de “vantagem do retardatário”: quando uma região não tem infraestruturas antigas e pesadas para substituir, pode adotar tecnologias novas sem o peso do legado. É como começar a construir uma cidade do zero com os melhores materiais disponíveis, em vez de ter de demolir edifícios antigos primeiro.
Em segundo lugar, os governos destas regiões têm apostado de forma ativa em políticas de digitalização nacional. O Cazaquistão, por exemplo, lançou programas ambiciosos de transformação digital que incluem explicitamente a inteligência artificial como eixo central. Esta visão política cria um ambiente favorável para que as empresas invistam sem receio.
Em terceiro lugar, existe uma população jovem e com forte literacia tecnológica. Uma força de trabalho jovem adapta-se mais rapidamente a novas ferramentas, o que reduz um dos maiores obstáculos à adoção de IA nas empresas: a resistência interna.
Que tipo de empresas está na vanguarda?
Não se trata apenas de grandes corporações. O fenómeno estende-se a pequenas e médias empresas que utilizam ferramentas de IA para automatizar atendimento ao cliente, otimizar cadeias de distribuição, analisar dados financeiros e até apoiar decisões agrícolas. Nesta última área, a IA tem sido especialmente transformadora: em países onde a agricultura representa uma parte significativa da economia, algoritmos que preveem colheitas e detetam doenças nas culturas através de imagens de satélite têm um impacto direto e mensurável na vida das pessoas.
O que podemos aprender com este exemplo?
Este caso é um espelho útil para qualquer empresa ou profissional que ainda hesita em experimentar ferramentas de inteligência artificial. A lição principal é que a adoção de IA não exige ser pioneiro mundial nem ter orçamentos milionários. Exige, acima de tudo, uma mentalidade aberta, uma estratégia clara e a disposição para experimentar em pequena escala antes de expandir.
Para os utilizadores da Arena Digital que gerem negócios ou trabalham em ambientes corporativos, o recado é direto: se empresas em economias emergentes da Ásia Central conseguem integrar IA nos seus processos com resultados positivos, as barreiras à entrada são muito menores do que geralmente se pensa. As ferramentas estão disponíveis, muitas delas em português, e os benefícios começam a sentir-se rapidamente.
Um movimento que não vai abrandar
Os dados apontam para uma tendência que se vai intensificar. À medida que os custos das soluções de IA continuam a baixar e a acessibilidade aumenta, regiões que hoje surpreendem pelo ritmo de adoção tornar-se-ão referências globais em setores específicos. Acompanhar este movimento não é apenas curiosidade académica. É uma forma de antecipar onde o mundo dos negócios vai estar nos próximos anos e de preparar respostas adequadas com antecedência.
Fonte: Notícia Original





