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Como a IA está a ser usada como arma digital

17 Setembro 2026

Durante décadas, a espionagem era feita por agentes humanos infiltrados em governos estrangeiros, a roubar documentos físicos ou a gravar conversas em locais secretos. Hoje, esse trabalho está a ser delegado, em parte, a sistemas de inteligência artificial. E um relatório recente da Anthropic, empresa criadora do assistente de IA Claude, revelou algo que muda a forma como entendemos os riscos destas tecnologias: grupos ligados ao governo russo utilizaram o Claude para conduzir operações de ciberespionagem, produzir desinformação em larga escala e apoiar o desenvolvimento técnico de drones militares.

O que aconteceu exatamente?

A Anthropic identificou e bloqueou um conjunto de contas associadas a um grupo que os investigadores de segurança chamam de “Cozy Bear”, também conhecido como APT29, uma organização de ciberespionagem diretamente ligada ao serviço de inteligência externo da Rússia, o SVR. Este grupo não é novo: é o mesmo que esteve por detrás do ataque à cadeia de fornecimento de software SolarWinds em 2020, um dos maiores casos de espionagem digital da história recente.

Desta vez, porém, a ferramenta usada não foi um vírus informático tradicional. Foi um assistente de linguagem avançado, o mesmo tipo de tecnologia que milhões de pessoas usam todos os dias para redigir emails, tirar dúvidas ou aprender conceitos novos.

Para que é que usaram o Claude?

Os usos documentados dividem-se em três categorias principais, e vale a pena perceber cada uma delas com clareza.

A primeira é a ciberespionagem. O grupo usou o Claude para pesquisar alvos específicos, analisar sistemas informáticos vulneráveis e redigir código que pudesse ser usado em intrusões digitais. Funciona como ter um consultor técnico disponível a qualquer hora, capaz de responder a perguntas muito específicas sobre como determinados sistemas funcionam e onde podem ter falhas.

A segunda é a desinformação. O Claude foi utilizado para criar conteúdo falso ou manipulador em múltiplos idiomas, com o objetivo de influenciar a opinião pública em países ocidentais. Aqui, a analogia mais próxima é a de uma fábrica de narrativas: em vez de contratar dezenas de redatores humanos para escrever artigos falsos, um único operador pode usar um modelo de linguagem para produzir centenas de textos coerentes, convincentes e adaptados a diferentes audiências, em minutos.

A terceira é o apoio ao desenvolvimento de drones. Este ponto é talvez o mais alarmante. Os operadores usaram o assistente para obter informações técnicas relacionadas com sistemas de drones, incluindo aspetos de navegação, comunicação e autonomia. Não estamos a falar de construir um drone de raiz com uma conversa de chatbot, mas sim de usar a IA para acelerar a investigação, resolver problemas técnicos e consolidar conhecimento especializado de forma muito mais rápida do que seria possível sem ela.

Por que é que isto é diferente de uma pesquisa normal no Google?

Esta é uma distinção fundamental que merece atenção. Um motor de busca devolve links. Um modelo de linguagem avançado sintetiza, raciocina, adapta e cria. A diferença é como pedir a alguém que nos dê um livro sobre um assunto, versus ter um especialista nesse assunto sentado ao nosso lado, disposto a explicar, adaptar e aplicar o conhecimento ao nosso problema específico.

Isto significa que o nível de especialização técnica necessário para conduzir certas operações de espionagem ou desenvolvimento de armamento baixou consideravelmente. Tarefas que antes exigiam equipas de especialistas podem agora ser aceleradas de forma significativa com o auxílio de IA.

O que fez a Anthropic para travar isto?

Assim que a atividade foi detetada, a Anthropic encerrou as contas envolvidas e partilhou as suas descobertas com outras empresas do setor e com investigadores de segurança. A empresa sublinhou que os seus sistemas têm salvaguardas para detetar e bloquear pedidos claramente maliciosos, mas reconheceu também que atores sofisticados podem tentar contornar esses filtros através de pedidos mais subtis e fragmentados.

Este caso ilustra um desafio estrutural do setor: os mesmos modelos de IA que ajudam estudantes a aprender, profissionais a trabalhar mais eficientemente e investigadores a avançar a ciência, podem ser instrumentalizados por quem tem intenções maliciosas. Não existe uma solução técnica perfeita para este problema, porque o conhecimento, por natureza, é dual.

O que devemos reter deste caso?

Este incidente é um sinal claro de que a corrida à IA não é apenas uma competição económica ou tecnológica. É também uma questão de segurança nacional e de estabilidade da informação pública. Os governos europeus, incluindo Portugal, estão neste momento a debater regulamentação para a IA, e casos como este reforçam a urgência dessas conversas.

Para os utilizadores comuns, a mensagem principal não é de pânico, mas de literacia. Perceber que as ferramentas de IA que usamos no dia a dia são as mesmas que atores maliciosos tentam explorar ajuda a colocar o debate sobre regulação, transparência e responsabilidade das empresas tecnológicas num contexto muito mais concreto e real.

Fonte: Notícia Original

Este artigo baseia-se em factos reportados originalmente pela fonte indicada, analisados para te trazer uma visão aprofundada sobre os prós, contras e consequências práticas da tecnologia no seu quotidiano. O conteúdo foi gerado com o apoio de Inteligência Artificial, sob curadoria e revisão rigorosa da equipa Arena Digital. Partimos da notícia original para garantir a precisão, acrescentando a nossa análise sobre o impacto desta inovação no seu negócio ou quotidiano.

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