Há uma data marcada no calendário da Microsoft que pode causar sérios problemas a milhões de utilizadores de Windows 10 em todo o mundo: junho de 2026. Nesse mês, expiram os certificados digitais que garantem o funcionamento correto do Secure Boot, uma das camadas de segurança mais importantes do arranque do sistema operativo.
O que é o Secure Boot e por que razão existe
Pensar no Secure Boot é como pensar num porteiro de um edifício que verifica os documentos de identidade de toda a gente antes de deixar entrar. Quando um computador liga, o sistema não carrega automaticamente tudo o que encontra. Em vez disso, verifica se cada componente de software que arranca tem uma assinatura digital válida, ou seja, um documento de confiança emitido por uma entidade reconhecida. A Microsoft é uma dessas entidades, e os seus certificados funcionam como os documentos de identidade que o porteiro aceita.
Esta verificação existe para impedir que software malicioso, como rootkits e bootloaders infetados, se instale antes mesmo do sistema operativo carregar. Sem esta proteção, um atacante poderia comprometer o computador a um nível tão profundo que nenhum antivírus conseguiria detetar o problema.
O que acontece quando um certificado expira
Os certificados digitais têm uma data de validade, tal como um passaporte ou uma carta de condução. Quando essa data passa, o porteiro deixa de reconhecer os documentos e recusa a entrada. No caso do Secure Boot, isso significa que determinadas versões de software de arranque, incluindo componentes críticos usados em ambientes de duplo arranque com Linux ou em ferramentas de recuperação, podem simplesmente deixar de funcionar.
O cenário mais preocupante afeta os utilizadores que utilizam sistemas com Linux a par do Windows, bem como administradores de sistemas que dependem de ferramentas de diagnóstico e recuperação certificadas com os certificados antigos da Microsoft. Para estes utilizadores, o computador pode recusar o arranque desses sistemas após a expiração.
Quem é afetado e o que pode ser feito
Os utilizadores domésticos que apenas utilizam o Windows 10 no seu estado original têm menos razões para preocupação imediata. O problema concentra se sobretudo em ambientes onde há personalização do processo de arranque. No entanto, a situação serve como alerta para a importância de manter os sistemas atualizados, já que a Microsoft deverá emitir novos certificados e disponibilizar atualizações para substituir os que expiram.
A recomendação é clara: manter o Windows Update ativo e garantir que todas as atualizações de firmware da placa mãe, fornecidas pelo fabricante do computador, estão instaladas. Os fabricantes de hardware e as distribuições Linux mais populares já estão a trabalhar em atualizações compatíveis com os novos certificados da Microsoft.
Um lembrete sobre a saúde digital dos equipamentos
Este episódio é também um bom momento para refletir sobre a vida útil do Windows 10. O suporte oficial da Microsoft a este sistema termina em outubro de 2025, o que significa que os utilizadores que não atualizarem para o Windows 11 ficarão sem atualizações de segurança precisamente quando a questão dos certificados começa a fazer sentir os seus efeitos. A combinação dos dois fatores torna a atualização do sistema operativo uma prioridade que não deve ser adiada.
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